Buscar processo     
Veja aqui o arquivo de videos.
Prefeitura Municipal de Goiânia
Governo do Estado de Goiás
Governo Federal
Sindicato dos Funcionários do Legislativo Goianiense
Acompanhe-nos

Siga-nos no Twitter Acompanhe-nos no YouTube Acompanhe nossas notícias através do nosso RSS Acesse a nossa fanpage
As primeiras legislaturas
          Momentos difíceis

          Para os antigos vereadores e funcionários da Câmara, as três primeiras legislaturas marcaram a história do Legislativo por seu caráter pioneiro e totalmente voltado aos interesses coletivos.

          Mas todas as legislaturas tiveram sua devida importância em seu determinado tempo e espaço. A 4ª Legislatura (1959/1963) é que contou com os nomes mais expressivos da vida pública atual de Goiás. Entre eles estão Iris Rezende Machado, Nion Albernaz, José Luiz Bittencourt e Heli Mesquita.

           Na 5ª Legislatura (1963/1966), com o golpe de 64, a Câmara começou a enfrentar suas primeiras dificuldades com o regime ditatorial. Na 6ª Legislatura, apenas dois partidos dominavam a Câmara: a Arena e MDB. Iris Rezende foi eleito prefeito pelo MDB, que também fez 12 vereadores, contra apenas cinco da Arena. Mas foi no início da década de 70, durante as 6ª e 7ª legislaturas, que a Câmara enfrentou seu período mais conturbado.

          A Arena é que tinha a maioria, com nove vereadores contra oito do MDB. De acordo com Manuel Messias Tavares, vereador naquele período pelo MDB, a Câmara viveu momentos de temor. Por causa da denúncia de um vereador – que ele prefere preservar o nome –, a Comissão Geral de Investigação (CGI) fez uma total varredura em todas as legislaturas e houve muitas apreensões. A intenção do referido vereador era que o governo investigasse apenas a presidência de então, mas o fato acabou chamando a atenção dos militares para a Câmara Municipal. O clima ficou tenso e a Casa vivia constantemente sob a sombra do medo de ter suas portas fechadas. Mas os vereadores têm orgulho de contar que o Legislativo não se curvou e exerceu importante papel como um órgão de defesa da democracia.

          A presidência da Câmara, no entanto, esteve ameaçada em outra oportunidade. O presidente da Casa era Zeuxis Gomes de Morais. Houve uma reforma administrativa na prefeitura e ninguém ousava fazer o mesmo na Câmara. Coube a Zeuxis a tarefa, o que quase o levou à cassação. Isso porque ele aproveitou algumas pessoas, como João Natal, do MDB. Foi denunciado ao Regime Militar, embora houvesse verdadeiramente a necessidade da reforma. Zeuxis contava muito com o apoio de todos os vereadores. Disse que se eles lhe dessem a cobertura necessária - o que realmente aconteceu -, faria uma reforma nos moldes da prefeitura. João Natal estava à disposição do Legislativo como delegado de polícia concursado, e foi aproveitado como procurador da Câmara.

          E justamente já prevendo complicações foi que Zeuxis resolveu então aproveitar todos os funcionários do Estado à disposição da Câmara e criar um quadro especial para vereador funcionário. Foi denunciado e confessou tudo. Questionaram principalmente o caso de João Natal. Ao final, o entrevistador lhe disse: "O senhor é um homem de bem, mas se comprometeu muito. Vou lhe mostrar quem foi que pediu para fazer essa investigação." 

          Qual não foi a surpresa de Zeuxis ao ver numa cópia de telex a assinatura do presidente da República, Ernesto Geisel. Era caso para cassação. A recomendação era ir a Brasília e procurar os amigos.

          Zeuxis chamou João Natal e contou-lhe a história. Natal e outras duas procuradoras da Câmara lhe fizeram uma belíssima defesa. Ele foi a Brasília, procurou Petrônio Portela e contou tudo. Portela leu a defesa e perguntou-lhe se teria condições de se defender oralmente utilizando os mesmos argumentos. Zeuxis disse que sim, no que ouviu a explicação do grande articulador nacional: "É, porque lá o que vai valer são suas reações. Topa?" 

          Portela telefonou para Armando Falcão, pediu a entrevista e Zeuxis foi para o SNI. Deu de cara com João Batista Figueiredo, que foi duro no questionário. A uma certa altura o vereador teve o direito de falar e mandou brasa. 

          Entre outras coisas, disse que estava sendo perseguido pelo coronel Danilo Sá da Cunha Melo, secretário de Segurança (que queria pegar mesmo era o João Natal). Também perguntou por que é que o SNI tinha tanta anotação que o condenava e não tinha anotado tudo o que já fizera pela revolução. 

          Quando terminou, a resposta de Figueiredo foi pegar o telefone e ligar para Danilo. Repetiu tudo o que Zeuxis lhe dissera e repreendeu fortemente o secretário. Por um triz, o vereador estava salvo.

Por tudo isso, pode-se dizer que em todos os seus mandatos, a Câmara Municipal de Goiânia procurou sempre atender aos anseios da comunidade, cumprindo suas atribuições de fiscalizar, assessorar o poder Executivo e elaborar leis em defesa dos cidadãos. 

          Nestes 50 anos de atuação, a Câmara conseguiu se transformar num canal de comunicação intermediando o diálogo entre a população e os poderes constituídos. Uma prova disso são os resultados surgidos diretamente do eleitorado. 

          Da Casa saíram prefeitos, deputados estaduais e federais, governadores, secretários, senadores, ministro e ocupantes de outros importantes cargos políticos. Após cinco décadas de serviços prestados aos goianos, a Câmara se firma como um órgão que representa a voz do povo.

Câmara Municipal de Goiânia Av. Goiás, 2001 Setor Central - Goiânia - GO 74.063-900 Fone (62) 3524-4200